A Visão

Antunes Maria do Céu * Rocha K. Dui

O Mecanismo da Visão    Problemas Visuais    Doenças Oculares    Ilusões de Óptica

 

No escuro é muito difícil e, às vezes, é mesmo impossível ver alguma coisa. É a luz que estimula o tecido nervoso dos nossos olhos e permite distinguir a forma, o tamanho, a cor, o movimento, a distância das coisas, etc. 

Os nossos olhos são quase esféricos e estão alojados nas cavidades orbitais da face. As paredes do globo ocular são constituídas por três membranas: a esclerótica, a coróide, e a retina.

  

 

Esclerótica:

*  membrana mais externa do olho, é branca, fibrosa e resistente;

*  mantém a forma do globo ocular e protege-o;

*  na região anterior e central do olho, a esclerótica, é fina e transparente e constitui a córnea.

Coróide:

*  reveste internamente a esclerótica, é escura e rica em vasos sanguíneos;

*  na região anterior do olho, ela tem um orifício circular, a pupila;

*  a faixa circular da coróide que rodeia a pupila é denominada de íris e pode ter uma cor azul, castanha, cinza ou verde;

*  por meio de dois músculos lisos, a íris regula o diâmetro da pupila;

*  quando a claridade do ambiente é pouco intensa, a pupila dilata-se para deixar entrar no olho o máximo de luz possível;

*  quando a claridade é demasiado intensa, a pupila contrai-se para impedir que o excesso de luz prejudique a visão.

Retina:

*  é a membrana mais interna do globo ocular, nela encontram-se células nervosas especializadas em captar os estímulos luminosos;

*  no fundo do olho está o ponto cego, insensível à luz, porque é o lugar por onde passa o nervo óptico;

*  esse nervo conduz os impulsos nervosos para o centro da visão, no cérebro;

*  na retina encontra-se, também, a mancha amarela e é nesta mancha amarela que se forma a imagem, no caso de uma visão normal.

   

O globo ocular é formado, ainda, pelo humor aquoso, o humor vítreo e o cristalino.

Esquema do olho humano

Esquema do olho humano

Humor Aquoso:

*  é um líquido incolor existente entre a córnea e o cristalino.

Humor Vítreo:

*  é uma substância gelatinosa que preenche todo o espaço interno do globo ocular entre a retina e o cristalino;

*  contribui para manter a forma esférica do olho.

Cristalino:

*  é uma estrutura situada atrás da pupila, que orienta a passagem da luz até à retina;

*  o cristalino pode ficar mais delgado ou mais espesso, essas mudanças de forma ocorrem para desviar os raios luminosos na direcção da mancha amarela;

*  o cristalino fica mais espesso para a visão dos objectos próximos e mais delgado para a visão dos objectos mais distantes;

*  a esta propriedade do cristalino dá-se o nome de acomodação visual.

 

O globo ocular apresenta, ainda, anexos: as pálpebras, os cílios, as sobrancelhas, as glândulas lacrimais e os músculos oculares.

 

Pálpebras:

*  são duas dobras de pele revestidas internamente por uma membrana chamada conjuntiva;

*  servem para proteger os olhos e espalhar sobre eles o líquido que conhecemos como lágrima.

Cílios ou pestanas:

*  impedem a entrada de poeira e de excesso de luz nos olhos.

Sobrancelhas:

*  impedem que o suor da testa entre nos olhos.

Glândulas lacrimais:

*  produzem lágrimas continuamente;

*  esse líquido, que é espalhado pelos movimentos das pálpebras, lava e lubrifica o olho;

*  quando choramos, o excesso de líquido desce pelo canal lacrimal e é despejado nas fossas nasais, em direcção ao exterior do nariz.

 

O mecanismo da visão

  Os raios luminosos atravessam a córnea, o cristalino, o humor aquoso e o humor vítreo e atingem a retina.  

  Mecanismo da visão

Existe uma grande semelhança entre o olho e na máquina uma máquina fotográfica. Tanto na máquina fotográfica como no olho, os raios luminosos atravessam um meio transparente e são dirigidos para uma superfície sensível à luz.

Na máquina fotográfica, o meio transparente é a lente e a superfície sensível à luz é o filme. No olho, a luz atravessa a córnea, o humor aquoso e o cristalino e dirige-se para a retina que funciona como o filme fotográfico, em posição invertida, a imagem formada na retina também é uma imagem invertida.

O nervo óptico transmite o impulso nervoso provocado pelos raios luminosos ao cérebro, que o interpreta e nos permite ver os objectos nas posições em que realmente se encontram.

 

O nosso cérebro reúne numa só imagem os impulsos nervosos provenientes dos dois olhos. A capacidade do aparelho visual humano para perceber os relevos deve-se ao facto de serem diferentes as imagens que cada olho envia ao cérebro.

Com, somente, um dos olhos temos a noção de apenas duas dimensões dos objectos: largura e altura. Com os dois olhos, passamos a ter a noção da terceira dimensão, a profundidade.


Problemas Visuais

Sempre que as imagens se formam correctamente na mancha amarela, a visão é nítida e o olho é considerado emetrope ou normal. Quando isso não ocorre, dizemos que há defeito de visão.

De entre esses defeitos destacam-se: a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo, o estrabismo, a presbiopia, o daltonismo, as cataratas e a conjuntivite.

Miopia:

*  Na miopia a formação da imagem ocorre antes da retina, porque o olho é anormalmente longo, os míopes vêem mal ao longe.

*  Corrige-se este defeito com o uso de lentes (óculos ou lentes de contacto) divergentes. Actualmente, já há um tratamento cirúrgico para os olhos míopes.

   

 

 

Hipermetropia:

hipermetropia

*  Na hipermetropia a formação da imagem ocorre, teoricamente, atrás da retina, porque o olho é curto demais, os hipermetropes vêem mal ao perto.

*  O defeito é corrigido com lentes (óculos ou lentes de contacto) convergentes.

 

   

 

Astigmatismo:

*  O astigmatismo consiste num defeito da curvatura da córnea e muito raramente do cristalino.

*  Em consequência, o olho não é capaz de distinguir, ao mesmo tempo e com a mesma nitidez, linhas verticais e horizontais.

*  Esta anomalia pode-se somar à miopia ou à hipermetropia.

Estrabismo:

*  O estrabismo é um defeito que se manifesta quando os olhos se movimentam em direcções diferentes e não conseguem focar juntos o mesmo objecto.

*   Pode ser causado por diferenças acentuadas nos graus de miopia ou hipermetropia dos dois olhos, por desenvolvimento insuficiente ou desigual dos músculos que os movem, ou ainda, por algum problema dos Sistema Nervoso Central (SNC).

Presbiopia:

*  A presbiopia ou vista cansada é comum nas pessoas com mais de 45 anos.

*  Este defeito deve-se à impossibilidade de o cristalino se acomodar à visão de objectos próximos, por isso, as pessoas idosas vêem muito mal ao perto.

*  Esta deficiência pode ser corrigida com lentes convergentes à semelhança da hipermetropia.

Daltonismo:

*  O daltonismo é uma deficiência na visão das cores.

*  Consiste na cegueira para algumas cores, principalmente, para o vermelho e para o verde.

*  Os daltónicos vêem o mundo em tonalidades de amarelo, cinza-azulado e/ou azul.

Cataratas:

 

*  É a deficiência da passagem da luz através do olho devido à opacidade do cristalino.

* O cristalino perde a sua transparência porque as proteínas que o formam se vão coagulando.

 

 

Conjuntivite:

*  Inflamação da conjuntiva ocular.


Doenças Oculares

 

Desorientação visuo-espacial

 

Consiste na perda da habilidade de execução de tarefas visualmente guiadas, na perda da capacidade de interpretação de mapas e de localização na vizinhança ou até mesmo dentro da própria casa.

Os aspectos de neuro-imagem podem revelar áreas isquémicas ou de hipoperfusão nas regiões temporo-occipitais de predomínio à direita.

 

Alterações na síntese perceptiva – AGNOSIAS  

A síntese das sensações de forma a constituir percepções conscientes dá-se nas zonas corticais do Sistema Nervoso Central (SNC).

A anestesia, a surdez ou a cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical do Sistema Nervoso Central (SNC) onde se projectam essas sensações, determinando o desaparecimento delas.

No caso onde está preservada a integridade das vias nervosas aferentes e existem lesões corticais na vizinhança da área de projecção, áreas para-sensoriais, mantém-se a integridade das sensações elementares, porém, há alteração do acto perceptivo e nesse caso fala-se de Agnosia.

Assim sendo, a Agnosia não é uma alteração exclusiva das sensações, nem exclusiva da capacidade central de perceber objectos externos mas de uma alteração intermediária entre as sensações e a percepção.

Em alguns casos, observa-se a perda da intensidade e da extensão das sensações, permanecendo inalteradas as sensações elementares; noutros casos há integridade e extensão das sensações mas perde-se a capacidade de reconhecimento dos objectos.

Pode-se, também,  explicar a Agnosia como sendo o estado em que os elementos sensoriais deixam de ter o seu significado normal. O paciente vê, ouve, toca os objectos, porém é incapaz de emitir um juízo sobre a forma, o som e a consistência do objecto que tocou.

A Agnosia pode ser táctil, auditiva, visual e, finalmente, total quando a mesma afecta todas as esferas da sensibilidade. A Agnosia visual leva o paciente a ver os objectos, sem conseguir reconhecê-los.

 

Agnosia Visual

 

A Agnosia Visual compreende a incapacidade de reconhecimento visual de objectos na ausência de disfunções ópticas.

Os métodos de neuro-imagem permitem a identificação de lesões temporo-occipitais bilaterais, geralmente de origem isquémica, determinantes desta condição.

A Agnosia Visual pode ser diferenciada em dois tipos particulares: alexia e prosopagnosia.

Alexia:

*  refere-se à perda da capacidade de reconhecimento de palavras escritas;

*  através dos métodos de neuro-imagem podem detectar-se lesões no território de irrigação da artéria cerebral posterior esquerda, com o comprometimento parcial do corpo caloso.

Prosopagnosia:

*  refere-se à incapacidade de reconhecimento de faces;

*  o seu substracto anatómico resida em lesões occipitais inferiores bilaterais.

As Agnosias Visuais podem ser de objectos, de formas, de cor e de espaço. Nos dois primeiros casos, o paciente mostra-se incapacitado para identificar o objecto ou a forma deste em virtude de se encontrar alterada a integração das sensações elementares.

A sensação óptica nestes casos constitui-se muito mais em contornos, superfícies e cores, luzes e sombras, do que na individualização do objecto em si. Com frequência não se diferenciam bem entre si, carecem de definição clara e patente e da relação nítida com o que está próximo deles relativamente ao espaço óptico.

Lesões do lobo occipital na região da cissura calcariana também podem produzir defeitos sensoriais fisiológicos.

A Agnosia Visual é, entre estes transtornos, a que melhor se conhece a sua origem. Nestes casos as lesões neurológicas responsáveis, quase sempre, são bilaterais e afectam as áreas occipitais 18 e 19, contíguas à área 17 onde terminam as projecções visuais (áreas para-sensoriais).

 

Alexia Pura

A Alexia Pura caracteriza-se por uma perda electiva da identificação da linguagem escrita, na ausência de qualquer forma de Afasia. As características gerais são as mesmas de uma Alexia Agnósica e ocorrem, quase sempre, por manifestações associadas de Agnosia Visual, principalmente Agnosia para cores e para formas geométricas.

A lesão responsável localiza-se no giro lingual e no giro fusiforme do hemisfério dominante mas atinge, também, o esplenio do corpo caloso.

 

Alexia Agnósica

Chama-se Alexia Agnósica a uma espécie de transtorno na escrita (Afasia Gráfica) onde predomina a dificuldade de integração das percepções visuais e, assim sendo, a Alexia Agnósica corresponde a uma dificuldade maior para a identificação das palavras (compreensão global) do que para a identificação de letras isoladas.

A leitura tende a ser literal ou escandida. O indivíduo utiliza o dedo para a identificação das letras e a identificação das palavras soletradas é satisfatória. Nestes pacientes a cópia é imperfeita, ainda que a escrita espontânea ou ditada seja satisfatória.

A Alexia Agnósica está frequentemente associada a outra manifestações de Agnosia Visual, nomeadamente a Agnosia para as cores

  

Alexia Afásica

É Alexia Afásica, quando está prejudicada a utilização de mensagens em função do seu valor simbólico em termos de linguagem. A Alexia Afásica determina uma maior dificuldade para o entendimento das letras do que das palavras, pois são dotadas de uma significação que facilita a sua identificação.

A leitura é global e os erros resultam de uma interpretação falsa da forma geral da palavra. Para o aléxico afásico a divisão em sílabas é difícil e a escrita espontânea e ditada apresenta as características de uma agrafia afásica. A cópia é possível, porém o paciente apresenta dificuldades ao reler o que escreveu.


Menina que vê sem ver

Espanhola de Cuenca tem uma doença rara e sem tratamento: ela é capaz de ver mas o seu cérebro não processa as informações. É como se fosse cega, mesmo tendo visão.

Rafael Méndez

Do El País  

Cuenca – Esther Chumillas não vê o que vê. Vê, mas a informação que chega ao seu cérebro perde-se e não é retida.

Ela sofre de Agnosia Visual, uma doença rara que não tem tratamento e por isso , Esther, caminha sem problemas mas não sabe por que rua está a caminhar, não pode reconhecer o seu pai nem descrever o carro em que acabou de entrar sem ajuda.

O mais impressionante é que é essa menina, nascida em Cuenca, há 18 anos, pode ler e escrever e reconhecer as cores e essa é a única coisa que lhe permite ter uma certa autonomia.

“Sei que estou na minha rua porque leio o nome na placa e não porque a esteja a reconhecer. Sei que é a minha casa porque leio o número na porta da entrada mas não posso descrever como é a porta”, explica Esther.

O diagnóstico de Agnosia Visual foi feito há cinco anos, quando uma meningite viral mal tratada lhe afectou o lóbulo occipital do cérebro, responsável pela visão. Esther, também, perdeu a visão lateral e ficou epiléptica.

“A Agnosia  Visual ocorre quando se altera uma das áreas de associação do cérebro, as zonas encarregadas de tratar a informação. Não sabemos, exactamente, o que ocorre mas a informação não se processa correctamente”, explica Fernando Montón, neurologista que há três anos tratou de um paciente com este mesmo problema.

Depois da meningite, Esther, passou nove dias na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e quando saiu não conseguia ver nada que se movia mas mais tarde recuperou a visão e a noção de movimento. Não perdeu a capacidade de ler e escrever.

“A leitura e a escrita têm um substracto neurológico diferente ao da visão, as zonas são relativamente independentes, se apenas uma delas é danificada, a outra pode funcionar”, explica Manuel Froufe, professor de Psicologia da Universidade Autónoma de Madrid.

Graças a isso, Esther, pode continuar a praticar os seus hobbies: ler (os seus escritores favoritos são Neruda e Flaubert), navegar na Internet e escrever poesia (o que aliás já lhe rendeu vários prémios locais).

Esther sabe o nome de todas as ruas de Cuencas e guia-se pelos cartazes e pelas placas que vê pelo caminho. “Para ir da minha casa ao cinema, tenho que descer, virar à direita, e atravessar a passadeira dos peões. Tenho que memorizar tudo. O problema é que se mudo de rota perco-me e não sei onde estou. No final tenho, sempre, que sair com alguém.”

Quando saiu do Hospital, tudo tinha mudado, sobretudo na escola: “Eu estava no quinto ano da escola secundária e não entendia símbolo, mapas nem nada que não fossem letras. De grego não aprendi nada porque não conseguia reconhecer a grafia”.

Esforçada, naturalmente, Esther conseguiu entrar na Universidade com uma nota média acima de sete. Queria estudar Filologia em Salamanca mas diante da necessidade de ter alguém ao seu lado, optou por não se mudar de Cuenca e optou por estudar Educação Especial.

Esther não renunciou à sua autonomia e procura na Internet sistemas de navegação por satélite que possam ajudá-la. “Acho que um GPS com voz seria a minha salvação, eu diria onde queria ir e o satélite indicaria o caminho. Além disse, a minha família saberia sempre a minha localização”.

O problema é que os sistemas não têm armazenado o mapa das ruas de Cuencas, apenas das grandes cidades. “Consegui na Câmara um mapa de Cuenca e mandei a uma empresa para ver quanto custaria um sistema por satélite”, afirma Esther sem saber se ficará muito caro.

Ao falar sobre a falta de ajuda e de compreensão com as quais tem constatado, Esther, muda a expressão e perde o sorriso. “Na Universidade, alguns professores disseram-me para deixar de estudar. A Câmara e a comunidade não me ajudam e não posso filiar-me no Once (órgão que dá assistência a deficientes invisuais) porque o meu problema é neurológico e não de vista”, lamenta e completa “Com ajuda, eu poderia desenvolver o tacto ou fazer exercícios para compreender a simetria”.

Nesse momento, Esther, vira a cabeça e alerta “Cuidado, lá vem um carro!”. Como é que ela sabe que é um carro? “Eu li a matrícula. Se tem, matrícula tem de ser um carro.”

 


Ilusões de óptica

 

Ilusões Ambíguas

 

Nesta ilusão, com base na famosa imagem do psicólogo dinamarquês Edgard Rubin, percebem-se dois rostos ou um cálice? Esta ilusão demonstra, muito bem, a reversão figura x fundo.

Quando fixamos o olhar sobre um objecto tudo em seu redor fica reduzido a fundo, no caso olhando fixamente para a parte branca vê-se o cálice, fixando-se o olhar na parte negra da figura vê-se um par de rostos.

 

 

O sistema visual e o cérebro não são prolongamentos do mundo ou seus servos, eles têm propriedades únicas que podem causar modificações nas informações recebidas pelos olhos. Além disso, as informações fornecidas pelos olhos nem sempre são exactas ou simples.

Quase todos os sinais de visão espacial e distância e, consequentemente, quase todas as situações visuais contém um potencial de ambiguidade. Quando a ambiguidade surge chama-se-lhe ilusão.

As ilusões ópticas são desnorteantes e complexas. Podem ser descritas, classificadas e, em alguns casos, parcial ou totalmente explicadas. Quase todas as ilusões geométricas ou espaciais subentendem um ou mais fenómenos básicos.

Por exemplo, os círculos tendem sempre a ser subestimados em tamanho enquanto que as linhas rectas são, normalmente, superestimadas em comprimento. Os ângulos agudos são superestimados enquanto que os ângulos obtusos são subestimados. Um mero quadrado parece ter uma maior altura que largura, o tamanho aparente do quadrado depende da sua posição, ou seja, se ele está colocado em ângulo ou de lado.

De grande importância são certos desenhos a traço: A figura mostra dois perfis ou uma taça? Quem decide é o nosso cérebro. Mas como decidir, se as linhas fazem sentido tanto na figura como no fundo claro?  

 

As linhas são paralelas ou convergentes?

 

 

 

 

As ilusões têm sido, geralmente, como criadoras de um problema específico na psicologia da visão. No passado, estes fenómenos eram atribuídos a “erros de julgamento” ou “más interpretações”. Hoje, porém, a maioria dos pesquisadores consideram tal classificação  imprópria, inadequada.

Além disso, rejeitar as ilusões como erros de julgamento ou más interpretações parecia perpetuar a noção de que todas as outras percepções eram correctas. Essa distinção pode parecer lógica se considerarmos a visão como um processo de cópia e depois perguntarmos se a cópia está certa ou errada.

Mas a visão não é assim tão simples. Se por  “correcto” entendermos que o sistema visual dá uma reprodução exacta dos eventos físicos no ambiente, então devemos estar preparados para situar todos os fenómenos visuais na categoria de ilusão.

Quando o olho não consegue detectar as oscilações luminosas do cinema e da televisão, ele está a dar uma interpretação imprecisa do evento físico. Um exame da maior parte dos dados de visão não revelaria nenhum exemplo daquilo a que se pode chamar percepção correcta.  

 

    

Os pontos no cruzamento das linhas são brancos ou pretos?

 

 

 

      

A visão está sujeita a dois tipos principais de ilusão: as ópticas e as de adaptação.

Ilusões de Óptica:

*  podem revelar  aspectos desconhecidos do modo de ver e julgar o mundo exterior;

*  são elas que levam o observador a avaliar erroneamente distâncias, aberturas angulares, dimensões, etc.

Ilusões de Adaptação:

*  são, também, muito frequentes e decorrem da acomodação da visão a uma nova situação, diferente da anterior;

*  suponha-se por exemplo, um observador transportado repentinamente de uma paisagem plana ou com ligeiras ondulações para um lugar com relevo íngreme. No início, ele sentirá que todas as inclinações que vê são muito grandes, porém, os detalhes vão sendo visionados e as inclinações serão apreendidas pelos olhos como sendo menos fortes do que o são na realidade;

*  outra ilusão de adaptação é a das cores, permanecendo muito tempo num ambiente iluminado com luz vermelha, um observador habitua-se a distinguir os semitons das cores dos objectos. Se, depois, esse observador sai para o ar livre ou o ambiente em que está é, subitamente, iluminado com uma luz branca tudo à sua volta parecerá verde; cor complementar do vermelho;

*  muitíssimas ilusões de adaptação relacionam-se com a visão das cores e outras tantas com o movimento.

 

 

O que vê? Uma bruxa ou uma donzela?

A donzela está a olhar para o lado e por outro lado o olho da bruxa é a orelha da donzela, assim como o nariz da bruxa é o contorno do rosto da donzela.

 

 

Imagens Reversíveis

 

 

Qual é a seta que está a apontar para a entrada da figura?  

 

A laranja ou a azul?

 

Para ver a entrada reverter fixe os olhos no lado contrário ao que viu como entrada.

Talvez seja necessário repetir o processo mais do que uma vez para treinar a sua percepção, quanto mais treinada estiver a percepção mais rápido e com mais facilidade ocorrerá a reversão.

Observe esta estrada.

Ao seguir por ela vai encontrar uma subida ou uma descida?

 

 

 

Ilusão de Óptica

Qual a linha mais comprida?

As duas linhas são do mesmo comprimento, mas as setas nas extremidades da linha criam a ilusão de que a linha da esquerda é mais comprida que a da direita.

 

A distorção da perspectiva é criada no cérebro e não nos olhos. Esta ilusão chama-se  “Ilusão Miller-Lyer”.

 

Ponto Cego

Tape o seu olho direito e olhe para o ponto do lado direito desta página com o seu olho esquerdo.

Permaneça a olhar para o ponto enquanto, lentamente, se aproxima cada vez mais desta página.

Descobrirá o ponto cego na sua visão quando o ponto do lado esquerdo desaparecer completamente.

 

 

Isto acontece quando a imagem atinge a parte do olho onde o nervo óptico liga o olho ao cérebro.

Neste ponto não existem receptores visuais que são os bastonetes e os cones. Como temos dois olhos, compensa-se o ponto cego com o olho do outro lado, ou seja, o que não está tapado.


Sabia que.....  

Ao observarmos estrelas no céu, às vezes, temos a sensação de que só conseguimos ver aquelas mais fracas não quando estamos a olhar directamente para elas, mas quando olhamos um pouco mais para ao lado.

Isso ocorre porque nos nossos olhos, as células mais sensíveis a pouca luminosidade, os bastonetes situam-se na periferia de uma parte da retina onde, normalmente, se formam as imagens nítidas. Por este motivo é que algumas pessoas dizem que vêem vultos durante a noite, ou seja, podem estar diante deste fenómeno.

“À noite, todos os gatos são pardos”.

Não se sabe ao certo a origem desta frase mas, com certeza, ela pode ter uma explicação física. Ocorre à noite, quando a luminosidade é pouca, o olho humano é mais sensível à região azul do espectro da luz, menos sensível ao amarelo e menos sensível, ainda, ao vermelho.

Além disso, com pouca luminosidade, as células responsáveis pela visão colorida, os cones, são muito menos sensíveis do que os bastonetes que distinguem apenas as diferentes intensidades de brilho e, portanto, correspondem a uma visão a preto e branco. Assim, de modo geral, todas as coisas à nossa volta adquirem uma tonalidade cinza (ou parda) quando a luminosidade do ambiente é fraca.

Durante as guerras, as pessoas daltónicas foram, muitas vezes, usadas para descobrir camuflagens . O olho humano normal possui três tipos de células (os cones) que permitem diferenciar as cores entre si: uma delas é sensível à luz vermelha, outra é sensível à luz verde e outra à luz azul.

Estas três cores combinadas em maior ou menor intensidade resultam na infinidade de tonalidades que vemos. O olho daltónico tem falta de um ou (em casos mais raros) de dois tipos de cones; por isso, o daltónico não vê as mesmas cores que a maioria das pessoas vêem.

Como a maior parte dos objectos que vemos, na realidade, reflectem luz de várias cores que juntas resultam na cor característica dos objectos, para o daltónico o verde de uma camuflagem não terá o mesmo tom do verde de uma mata.

Muitos animais possuem a visão a preto e branco. Alguns deles, no entanto, vêem melhor do que o homem, como por exemplo a águia (daí vem  expressão “ver com olhos de águia”). Outros, como o rinoceronte, são extremamente míopes.

O mais interessante é que vários animais vêem uma parte dos raios infravermelhos, isso permite-lhes caçar durante a noite, já que um corpo emite raios infravermelhos conforme a sua temperatura.

A visão a três dimensões (3D ou esterioscópica) depende muito do facto de possuirmos dois olhos (visão binocular). Pode-se verificar que, ao fechar um olho perde-se grande parte da noção das distâncias entre os objectos. Isto acontece porque os dois olhos captam a imagem do mesmo objecto de posições diferentes, devido à distância entre os olhos. Essas duas imagens são sobrepostas no cérebro, o que dá a sensação de três dimensões (3D).

Na realidade, existem outros factores que influenciam a visão tridimensional, tais como a observação de paralaxe entre objectos e a comparação entre os seus tamanhos.

 

Imagens de cor

Apesar de só estar presente um tom de azul, na imagem, conseguimos apercebermo-nos de dois.

A colocação dos blocos azuis entre os pretos provocam o escurecimento.

   

 

 

 Os pontos brancos da imagem parecem que estão a piscar.


 

Imagens impossíveis

Qual a parte mais alta desta escada?

Esta é a única escada em que se desce subindo.

 

 

 

 

 

 

 

Quantos dentes tem este garfo?

Dois ou três?


 

Outros sites a visitar

http://www.SandlotScience.com/

http://www.yorku.ca/eye/toc-sub.htm

http://www.ilusaodeoptica.hpg.ig.com.br/